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Glossário ambiental

Os termos que aparecem nas normas, nas licenças, nos boletins e nas ferramentas deste portal, explicados em linguagem clara e com a fonte ou norma de referência. É material de apoio à leitura, não substitui o texto legal nem a orientação de um profissional habilitado. Escolha uma categoria ou busque um termo.

Praias e balneabilidade

Termos do monitoramento da qualidade da água para banho.

Balneabilidade
Condição de uma praia ou ponto de água para banho, medida pela qualidade da água. No Brasil segue a Resolução CONAMA 274/2000.
E. coliEscherichia coli
Bactéria que vive no intestino de humanos e outros animais. Encontrada na água, indica contaminação por esgoto, por isso é usada como sinal de risco.
NMPNúmero Mais Provável
Estimativa estatística de quantas bactérias existem em 100 mL de água. Quanto maior o NMP, pior a qualidade da água. O limite da CONAMA 274/2000 é 800 NMP/100 mL de E. coli.
Própria / Imprópria
Classificação de um ponto de coleta conforme o limite de bactérias da CONAMA 274/2000. Imprópria significa risco maior à saúde de quem entra na água.
Chuva antecedente
Chuva acumulada nas horas anteriores a uma coleta. Importa porque a enxurrada carreia esgoto e sujeira para o mar, e é o principal fator associado à impropriedade em vários pontos.
IMAInstituto do Meio Ambiente de SC
Órgão ambiental de Santa Catarina responsável por monitorar as praias e publicar os boletins semanais de balneabilidade.

Alagamentos, maré e ressaca

Termos sobre água da chuva, maré, ressaca e o sistema que escoa a drenagem.

Alagamento
Acúmulo temporário de água em via ou área urbana quando a chuva é mais forte do que a drenagem consegue escoar.
Inundação
Transbordamento de um rio ou córrego sobre a área vizinha. Diferente do alagamento, está ligada ao curso d'água, não só à drenagem da rua.
Enxurrada
Escoamento rápido e violento da água da chuva, comum em encostas e terrenos íngremes. Tem alto poder de arraste.
Maré astronômica
Nível do mar previsto só pela atração da Lua e do Sol. É periódica e calculável com antecedência — é o que aparece na tábua de maré da Marinha (CHM).
Maré meteorológica
Parcela da maré causada pelo tempo (vento, pressão atmosférica, ressaca), somada ou subtraída da astronômica. Não é previsível com a mesma precisão. A maré que de fato se mede (maré real) é a soma das duas.
Ressaca
Agitação forte do mar, com ondas grandes, geralmente associada a vento e baixa pressão. Empurra água para a costa e eleva o nível além da maré astronômica.
Vento sulquadrante sul
Vento que sopra do quadrante sul. Em Florianópolis costuma acompanhar a entrada de frentes frias e ressaca, e está associado aos eventos de alagamento por maré.
Preamar / Baixa-mar
Preamar é o ponto mais alto que a maré atinge num ciclo; baixa-mar, o mais baixo. Entre uma e outra há cerca de 6 horas.
Lençol freático
Água que ocupa os espaços do subsolo. Quando está alto (próximo à superfície), a maré cheia pode fazer a água brotar no asfalto longe da praia, como na SC-405/Rio Tavares.
Drenagem urbana
Conjunto de bocas de lobo, galerias e canais que conduz a água da chuva para longe das ruas e edificações.
Área inundável
Região mapeada como sujeita a alagar ou inundar. Serve para planejar ocupação, obras e resposta a eventos extremos.

Resíduos e coleta

Termos sobre lixo, reciclagem e destinação.

Resíduo sólido
Material descartado (o que se chama de lixo), classificado por origem e periculosidade pela norma NBR 10004.
Coleta seletiva
Coleta que separa os recicláveis (papel, plástico, vidro, metal) do rejeito, para que possam voltar à cadeia produtiva.
Ecoponto
Local público para entrega voluntária de recicláveis, entulho, volumosos e resíduos especiais como pilhas e eletrônicos.
PEVPonto de Entrega Voluntária
Local onde a população deixa, por conta própria, um tipo específico de resíduo (óleo de cozinha, eletrônicos, pneus). Mais restrito que um ecoponto.
Logística reversa
Obrigação de fabricantes e comércio de receber de volta certos produtos no fim da vida útil (pilhas, lâmpadas, eletrônicos, pneus, medicamentos). Prevista na Política Nacional de Resíduos Sólidos (Lei 12.305/2010).
Rejeito
Resíduo que já não tem como ser reaproveitado ou reciclado. Seu destino correto é o aterro sanitário.
Aterro sanitário
Instalação projetada para receber rejeito com impermeabilização, captação de chorume e de gás, controlando o impacto. Diferente do lixão, que é descarte a céu aberto sem controle.
PGRSPlano de Gerenciamento de Resíduos Sólidos
Documento que descreve como um gerador (empresa, obra, serviço de saúde) maneja seus resíduos. É exigido por norma de vários tipos de gerador.

Plano Diretor e zoneamento

Termos sobre uso do solo, construção e áreas protegidas.

Plano Diretor
Lei municipal que define como cada parte da cidade pode ser usada e ocupada. É exigido pelo Estatuto da Cidade (Lei 10.257/2001).
Zoneamento
Divisão do território em zonas, cada uma com suas regras de uso (residencial, comercial, preservação) e de construção.
Taxa de impermeabilização
Percentual do terreno que pode ser coberto por material que não deixa a água da chuva infiltrar no solo. Quanto maior, mais água corre para a drenagem.
APPÁrea de Preservação Permanente
Área protegida pela função ambiental, mesmo sem cobertura de vegetação. O Código Florestal (Lei 12.651/2012, art. 4º) lista os tipos: faixas marginais de cursos d'água (mata ciliar), entorno de nascentes (raio de 50 m), lagos e reservatórios, encostas com declividade acima de 45°, restingas, manguezais, topos de morro e áreas acima de 1.800 m de altitude.
Manguezal
Ecossistema costeiro na transição entre terra e mar, berçário de espécies. É protegido por lei como Área de Preservação Permanente.
Restinga
Vegetação que fixa a faixa de areia entre o mar e o continente. A restinga fixadora de dunas e a estabilizadora de mangue são APP pelo Código Florestal (art. 4º, VI).
Duna
Acúmulo de areia modelado pelo vento na orla. Protege a costa contra o avanço do mar e ajuda a recarregar o lençol freático.
Declividade
Inclinação do terreno, em graus ou em porcentagem. Encostas com declividade acima de 45° (100%) são APP; em Florianópolis o critério oficial de risco usa o limiar de 46,6%.
EIVEstudo de Impacto de Vizinhança
Avalia o efeito de um empreendimento sobre a vizinhança urbana (adensamento, tráfego, infraestrutura, ventilação, paisagem). É instrumento do urbanismo, do Estatuto da Cidade (Lei 10.257/2001, art. 36 a 38), regulado pelo Plano Diretor do município. Não se confunde com o EIA, que olha o meio ambiente, nem o substitui.
Setor censitário
Menor unidade territorial que o IBGE usa para organizar os dados do Censo. Permite ler indicadores (como saneamento) por pequenas áreas.

Unidades de Conservação (SNUC)

As categorias de área protegida criadas pelo poder público, definidas pelo SNUC (Lei 9.985/2000).

Unidade de ConservaçãoUC
Área protegida criada pelo poder público com objetivos de conservação. O SNUC (Lei 9.985/2000) as divide em dois grupos: Proteção Integral e Uso Sustentável.
Proteção Integral
Grupo de UCs em que só se admite o uso indireto dos recursos naturais (sem consumo, coleta ou dano): pesquisa, educação e, quando previsto, visitação. Reúne cinco categorias: Estação Ecológica, Reserva Biológica, Parque, Monumento Natural e Refúgio de Vida Silvestre.
Uso Sustentável
Grupo de UCs que concilia a conservação com o uso direto de parte dos recursos, de forma sustentável. Reúne sete categorias: APA, ARIE, Floresta, Reserva Extrativista, Reserva de Fauna, Reserva de Desenvolvimento Sustentável e RPPN.
Estação EcológicaProteção Integral
Destina-se à preservação da natureza e à pesquisa científica. É de posse pública e a visitação só é permitida com fim educacional (SNUC, art. 9º).
Reserva BiológicaProteção Integral · REBIO
Preserva integralmente a biota, sem interferência humana direta. Visitação apenas educacional; posse e domínio públicos (SNUC, art. 10).
ParqueProteção Integral
Preserva ecossistemas de grande relevância ecológica e beleza cênica, permitindo pesquisa, educação ambiental, recreação e turismo ecológico. Chama-se Nacional, Estadual ou Natural Municipal conforme o ente (SNUC, art. 11).
Monumento NaturalProteção Integral · MONA
Preserva sítios naturais raros, singulares ou de grande beleza cênica. Pode incluir áreas privadas, se o uso for compatível com a conservação (SNUC, art. 12).
Refúgio de Vida SilvestreProteção Integral · REVIS
Protege ambientes que asseguram a existência e a reprodução de espécies da flora e da fauna. Pode incluir áreas privadas (SNUC, art. 13).
Área de Proteção AmbientalUso Sustentável · APA
Área em geral extensa, com ocupação humana, que disciplina o uso para conservar a diversidade biológica e a qualidade de vida. Admite terras públicas e privadas (SNUC, art. 15).
Área de Relevante Interesse EcológicoUso Sustentável · ARIE
Área pequena, com pouca ou nenhuma ocupação, com características naturais extraordinárias ou exemplares raros da biota. Visa manter os ecossistemas e regular o uso (SNUC, art. 16).
FlorestaUso Sustentável
Área com cobertura florestal predominantemente nativa, voltada ao uso múltiplo sustentável dos recursos e à pesquisa. Nacional, Estadual ou Municipal conforme o ente (SNUC, art. 17).
Reserva ExtrativistaUso Sustentável · RESEX
Área de populações extrativistas tradicionais, que protege seus meios de vida e cultura e assegura o uso sustentável dos recursos (SNUC, art. 18).
Reserva de FaunaUso Sustentável
Área natural com populações animais nativas adequada a estudos sobre o manejo econômico sustentável (SNUC, art. 19).
Reserva de Desenvolvimento SustentávelUso Sustentável · RDS
Abriga populações tradicionais cuja existência se baseia em sistemas sustentáveis de exploração, desenvolvidos ao longo de gerações (SNUC, art. 20).
RPPNUso Sustentável · Reserva Particular do Patrimônio Natural
Área privada, gravada com perpetuidade, criada por iniciativa do proprietário para conservar a diversidade biológica (SNUC, art. 21).

Licenciamento ambiental

Termos do processo que autoriza atividades com impacto ambiental.

Licenciamento ambiental
Procedimento pelo qual o órgão ambiental autoriza atividades que usam recursos naturais ou podem poluir. Regido pela Resolução CONAMA 237/1997 e pela Lei 15.190/2025 (LGLA).
LP / LI / LO
As três etapas da licença: Prévia (atesta a viabilidade do projeto), de Instalação (libera a obra) e de Operação (autoriza o funcionamento). Em Santa Catarina o IMA usa as siglas LAP, LAI e LAO.
AuAAutorização Ambiental
Licença simplificada de ato único usada em SC para atividades de menor impacto: num só documento aprova a localização, a instalação e a operação, sem o rito das três licenças.
AuCAutorização de Corte de Vegetação
Autoriza a supressão de vegetação necessária ao empreendimento. Em SC é requerida já na fase de Licença Ambiental Prévia.
Certidão de Conformidade Ambiental
Documento que o IMA emite para atividades de porte abaixo do mínimo de licenciamento: dispensa as três licenças, mas registra a conformidade ambiental da atividade.
SinFAT
Sistema on-line do IMA pelo qual o empreendedor protocola e acompanha o processo de licenciamento em Santa Catarina, e a equipe técnica faz a análise.
CCLA / CRLA
Câmaras do IMA que decidem o licenciamento em Santa Catarina. O parecer técnico é submetido a elas, exceto na renovação de LAO e nos casos com RAP ou Autorização Ambiental.
Porte e potencial poluidor
Critérios que enquadram uma atividade: o porte mede o tamanho (área, produção); o potencial poluidor, o grau de impacto. Juntos definem a licença e o estudo exigidos, conforme a CONSEMA/SC 250/2024.
Competência
Define qual ente licencia (federal, estadual ou municipal). Em SC, atividades de impacto local cabem ao município (CONSEMA 251/2024); a LC 140/2011 reparte as competências em geral.
EIA/RIMAEstudo e Relatório de Impacto Ambiental
Estudo técnico exigido de empreendimentos com potencial de impacto significativo. O RIMA é a versão do estudo em linguagem acessível ao público.
Condicionante
Exigência que o empreendedor precisa cumprir para obter e manter a licença válida (monitoramentos, obras, compensações).
Responsável técnico
Profissional habilitado que assina e responde tecnicamente por um estudo ou projeto ambiental. Toda análise séria exige revisão de um responsável técnico habilitado.
LGLALei Geral do Licenciamento Ambiental
Lei 15.190/2025, marco federal do licenciamento vigente desde fev/2026, ainda em harmonização com as normas estaduais.
CONAMA / CONSEMA
Conselhos de meio ambiente que editam resoluções: o CONAMA no nível federal e o CONSEMA no nível de Santa Catarina.

Dados e métodos

Termos técnicos que aparecem nas análises e nos mapas das ferramentas, explicados sem jargão.

Percentil
Posição de um valor numa série ordenada. O percentil 95 da maré, por exemplo, é o nível que só é superado em 5% dos dias — serve para marcar o que é alto de verdade, não a média.
Associação × causa
Dois fatores andarem juntos (associação) não prova que um causa o outro. As análises do portal medem associação e o dizem com clareza — é indício para investigar, não veredito.
Choroplethmapa coroplético
Mapa que pinta cada área (bairro, setor) com uma cor conforme um valor — quanto mais intensa, maior o valor. Usado, por exemplo, no saneamento por bairro.
Geocodificação
Converter um endereço escrito em coordenada (latitude e longitude) no mapa. As ferramentas usam o serviço público Nominatim, do OpenStreetMap.
Mancha urbana
Extensão do território efetivamente construído. O portal a mede por satélite com os dados GHSL (Comissão Europeia), o que permite comparar décadas com o mesmo método.
Série histórica
Sequência de medições do mesmo indicador ao longo do tempo. Permite ver tendência (a cidade cresce? a praia piora?) em vez de um retrato isolado.
GeoPortal / WFS
GeoPortal é o repositório de mapas oficiais da Prefeitura de Florianópolis. O WFS é o serviço que entrega esses dados em formato aberto, baixável e reproduzível.

Continue pelo portal

Cada termo aparece em contexto nas consultas públicas: praias, alagamentos, coleta e Plano Diretor.